Arquivo de 'PARABÉNS PARA O CHILE' Category

Sep
6

Os Bordeaux e os Chilenos



 

Nestas últimas semanas pude degustar uma batelada de vinhos que poderei dizer foram suficientes para manter uma opinião clara sobre eles.

Degustei mais de 80 vinhos, chilenos e bordaleses, tintos diferentes, e todos de diferentes marcas.

Numa degustação particular degustamos 41 vinhos tintos de Bordeaux.

Nesta pequena amostra, deste imenso universo que são os vinhos, penso que pude manter a minha opinião sobre estas duas regiões bem distantes e distintas de vinhos, embora com muita semelhança nas uvas utilizadas.

A grande maioria das uvas  usadas no Chile tem predominância de origem bordalesa, isto quer dizer que,  realmente se pode comparar as forças dos vinhos vindos das mesmas uvas, mas com diferentes solos e climas, ou mais especificamente de “terroirs” diferentes.

Caros e baratos, jovens e mais adultos, simples e famosos, todos carregam seu biotipo, (paroxítono que não é errado para muitos autores) e sua hereditariedade inconfundível. Todos, todos, bastante pesados! Recentemente elogiei a melhora dos chilenos, para o lado da leveza, mas estas últimas experiências foram desalentadoras.

Muitos gostam ou até preferem os vinhos intensos, robustos, estruturados, mordíveis, por opinião própria ou por influências jornalísticas das notas americanas recebidas. A estrutura chilena e seus músculos agradam a muitos, eu pessoalmente já gostei mais.

Atualmente prefiro a delicadeza, leveza, e as tendências mais raquíticas dos bordaleses – meu paladar se diverte mais com os equilíbrios leves das frutas e pouca presença dos taninos e madeiras. Mesmos os baratos conseguem a potabilidade sadia da leveza. Deve ser a minha idade que me faz sofrer com altos teores alcoólicos e com as impenetráveis cores extraídas dos super tintos e super robustos. Embora dores de cabeça nunca tenha tido; é o paladar mesmo, é quem sofre e reclama.

Como citei antes não se trata de preços e idades, creio que os produtores deste cone sul, destas regiões, podem interferir aos seus belos prazeres nas finalizações de seus vinhos. Preferem e perseguem estes vinhos quase aguardentes. Não só os bordaleses, mas os vinhos europeus em geral, parecem-me mais leves e delicados que os produtores novomundistas.

 

Apr
19

PARABÉNS PARA O CHILE



chin chin com vinho 

Há poucos dias, provamos para uma revista gastronômica, junto com o grupo de degustadores, um pouco mais de oitenta vinhos Cabernet Sauvignon daquele país. Não entrarei hoje em detalhes para não antecipar resultados que poderão ser do artigo que deverá ser publicado no próximo mês.

Neste momento o que importa é a uma pequena reflexão sobre os Cabernet Sauvignon chilenos. Sem dúvidas houve há 15 a 20 anos uma grande melhora nas qualidades dos vinhos chilenos em geral, em relação ao até então produzido naquela década de 1980. Constatados pelos produtores que seus vinhos com melhor qualidades poderiam e deveriam ser exportados e vendidos no mundo todo e não somente no Chile, mas a baixa qualidade deles  até então não conseguia este feito.

Com os novos investimentos chilenos e estrangeiros naquela época, principalmente com as modernas cubas de aço para as fermentações e as barricas francesas e americanas para suas maturações,  conseguiram um grande salto na melhoria de seus vinhos.  Deste modo conseguiram invadir com qualidades e preços, quase todos os países do mundo amantes dos vinhos. 

Provavelmente por influências da critica internacional especializada, principalmente da americana, seus vinhos melhoraram ,mas ficaram nestes últimos vinte anos, muito estruturados, vigoroso em cor, aromas e sabores, principalmente nas graduações alcoólicas, que a meu ver os tornam difíceis e cansativos.

Parabéns então vinhos chilenos!

A nota do dia é que tive a agradável surpresa de, ao provar os mais de oitenta vinhos, de preços médioas, até R$ 100 aproximadamente, uma boa constância de qualidade, dos mais baratos aos mais caros, em sua quase totalidade, estão mais leves, delicados e macios mesmo jovens e frutados, sem a indesejável intensa madeira em seus sabores, como até há pouco tempo predominava. Acho que está se iniciando, mais um grande salto em suas qualidades, a “bordeauxização” de seus vinhos.   Parece felizmente o começo de uma nova fase. 

É verdade no entanto, que os vinhos mais caros e sofisticados há algum tempo já estavam sendo mais bem tratados, com as barricas francesas mais  nobres, marcando menos os vinhos com a madeira, e conseqüentemente com mais delicadeza, fineza e elegância.

Theme Distributed by Rock Kitty and Wordpress Themes