Arquivo de 'Borgonha branco e sua prematura oxidação.' Category

Jul
26

Os brancos da Borgonha e sua prematura oxidação.



 

Há muito tempo tenho notado e comentado com os amigos e confrades, da atual fragilidade dos brancos da região da Borgonha em relação à sua precoce oxidação. Pela minha idade, provei muitos brancos das safras de antes de 1990 que amadureciam com qualidades insuperáveis, e que mais recentemente eu estava completamente decepcionado com as grandes marcas por suas oxidações e degringolações nos seus  sabores com pouquíssimos anos de idade.

Vejo que procediam minhas críticas. Acabo de ler na última revista Decanter, já de Agosto, minucioso artigo com análise deste tema que me entristece pelo conteúdo, mas vejo que já é uma anotação dos críticos internacionais e também de todos os produtores, até dos famosos, esta constatação.

Estes vinhos têm a fama de durarem muito e serem bastante resistentes ao envelhecimento  nas garrafas. Na verdade o termo não seria serem resistentes, mas mais do que isso, deveriam ter mesmo um obrigatório estágio nas garrafas, para amadurecerem e  se tornarem  os deliciosos néctares que só eles conseguem alcançar.

Parece não existir uma causa única que explique tal má evolução dos vinhos.

Foram citadas inúmeras conjecturas sem que na realidade tenha sido fechado o diagnóstico desse triste e grave defeito.

Se vocês têm bebido brancos da famosa Borgonha, da década de 1990, de suas próprias adegas ou das dos amigos, com insatisfatórios prazeres, não é invenção sua, é uma realidade incontestável.

Explicam os especialistas internacionais que é uma mistura destes fatores, não existindo uma causa única e definida:

  • Super manipulações dos mostos quando fermentam inicialmente, para garantirem que podem ser engarrafados antes que aconteça a próxima safra.
  • Rolhas de má qualidade permitindo a oxidação, a expansão do consumo piorou a qualidade, pelo uso de tratamento com peróxido que as tornam mais brancas e bonitas e com os silicones.
  • Quantidade insuficiente de dióxido de enxofre SO² no mosto e no vinho, que protege a oxidação, mas parece aumentar a dor de cabeça no consumidor, então se coloca o mínimo possível, pois afeta também os aromas.
  •  Os tipos de prensas horizontais dão mais resíduos nos sucos, que parecem ser protetores da oxidação. Prensas modernas incrementadas no início de 1990 dão sucos mais limpos, mas mais frágeis à oxidação.
  • A busca constante de produzir vinhos com uvas super maduras podem dar  vinhos que amadurecem mais rapidamente e são mais sensíveis nas adegas mais quentes provocando mais precocemente a fermentação malo-lática, tornando o vinho mais sensível à oxidação.

Os produtores acreditam que o problema diminuiu desde 2002, mas parece que nós consumidores ainda notamos a fragilidade.

Como um aviso e conselho é que os leitores devam consumir o mais rapidamente seus Borgonhas brancos da década de 1990 até 2002, e somente tendo provado específicas garrafas, com marcas e safras, e tendo conferido a qualidade de não oxidados, poderão aguardar um amadurecimento mais nobre.

No momento não comprar os brancos da Borgonha com a intenção de guardá-los 15 a 30 anos. Os “Grand Cru” na minha experiência têm sido mais resistentes, mas não livres destes riscos.  

Theme Distributed by Rock Kitty and Wordpress Themes