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Jan
17

MOVIMENTO DAS IMPORTAÇÕES VINÍCOLAS NO BRASIL 2012



CAROS LEITORES, COMO EM OUTROS ANOS REPASSO-LHES ESTES DADOS ENVIADOS PELO AMIGO ADÃO MORELLATTO, ESTUDIOSO DO ASSUNTO.

 
Como de tradição, segue os últimos informes referente ao volume de vinhos importados pelo Brasil em 2012.
 
Contrariando os 4 anos anteriores, em que o mercado de Vinhos Importados crescia a uma média de 13,5% ao ano, em 2012, o resultado foi ínfimo, apresentando apenas 1,59% de crescimento em valor e de apenas 1,01% em volume. A causas deste insignificante crescimento deu-se por 3 motivos bem distintos:
1º.  Movimento dos produtores nacionais em criar barreiras mercadológica’s, criando um ambiente de insegurança e incertezas.
2º.  Aumento cambial com valoração de 37,37% em Dólar e 25,15%  em euro’s;
3º.  Retração no mercado, principalmente no 2º semestre.
 
Para uma interpretação, ao término do ano, sempre utilizamos os dados consolidados dos 3 segmentos mais expressivos: Vinhos Finos, Champagnes e Espumantes, agregados em uma única análise.
 
Como se manifestaram os principais players deste segmento em 2012:
 
1º  –  CHILE – Como já comentado, descrito e informado em anos anteriores, novamente apresenta-se na liderança absoluta neste quesito, surpreendentemente em crescimento, com performance de 9,86% em valor  e de 12,87% em volume, porém abaixo dos 16,29% apresentado em 2011. Contrariando alguns prognósticos negativos de que já tinha atingido seu ápice e que em breve iniciaria uma leve tendência de queda. Sua hegemonia se fortalece na grandes cadeias de supermercados e grandes importadores, que evidenciam, prestigiam  e acreditam em um crescimento na categoria de vinhos com preços de até R$ 25,00 ao consumidor. Seu Market Share é de 31,48% em valor e de 39,72% em volume.
 
2º  –  ARGENTINA – Também mantendo como em anos anteriores a segunda posição, contudo uma ligeira queda de 5,10% em valor e de 13,61% em volume, fato este bem evidenciado no aumento do custo médio 8,73%, mantendo uma distância entre os vinhos chilenos de até 24,11% superior. Também devemos observar que as sérias medidas tomadas pelo Ministerio de Ecomomia y Finanzas Públicas da Argentina, através da Resolución 142/2012, não permitindo que as empresas exportadoras (bodegas) financie suas exportações com prazo máximo de 90 dias, o que obrigou as empresas importadoras brasileiras a antecipar os pagamentos que tinham de até 180 dias, inviabilizando as finanças. Este mercado, movimenta-se por oportunidades e é visível que houve uma transferência de negócios para os vinhos do Chile, que financeiramente são empresas mais sustentáveis e mais estruturadas e independe do governo para suas estratégicas mercantis. Sua participação em 2012, estabeleceu-se em 20,05% em valor e de 20,38% em volume.
 
3º  – FRANÇA – De acordo com o comentado acima, com a consolidação dos 3 segmentos, a França passa a a ocupar esta posição, devida a forte presença de Champagnes, que participa com 46,51% do volume total. Sua performance apresentou um crescimento de 3,33% em valor, considerando que os vinhos franceses tiveram um aumento real de 5,27%. Participa com 14,93% em valor e 5,63% em volume.
 
4º  –  PORTUGAL – Seguindo sua tradição de apresentar sempre um resultado positivo, em 2012 não foi diferente, cresceu apenas 2,26%, atingindo 12,11% em valor e 12,18% em volume, mesmo com uma queda de 8,46% no custo médio dos vinhos.
 
5º  –  ITÁLIA – Mantendo o embate com Portugal já alguns anos, trocando o ranking entre os mesmos, em 2012, obteve o pior desempenho entre os principais exportadores, com queda de -15,643, ainda não tivemos uma análise mais profunda que evidencie esta performance negativa, principalmente no ano em que os Italianos, apostaram fortemente no mercado brasileiro, para escoar sua gigante produção, que está estagnada na Europa e com baixo crescimento nos EUA. Participa com 11,76% de valor e 13,73% em volume.
 
6º  –  ESPANHA – A Furia, segue em disparada, cresceu  16,14% (será que roubaram dos Italianos ??). O certo é que os vinhos espanhóis, que até algum tempo atrás era difíceis de encontrar, indicar, escolher e conhecer, estão dia a dia mais presentes no varejo, e vieram para ficar e não querem ser coadjuvantes. Sua contribuição foi de 5,43% em valor e 4,36% em volume, com preço médio de USD 3,66 por botella.
 
DEMAIS PAÍSES – Participam com apenas 4,24% em valor, com algumas exceções de crescimento da Africa do Sul (41,72%), Uruguai (6,92%) e USA (13,58%), os países da Oceania, tiveram uma queda abrupta: Austrália (-14,09%) e N. Zelândia (-60,42%). Alemanha também apresenta queda de -57,20%.
 
Caso queiram as estatísticas em EXCEL, favor contactarem-me.
 
ANÁLISE MERCADOLÓGICA DE MINHA INTEIRA RESPONSABILIDADE, ESTANDO TOTALMENTE LIVRE PARA PUBLICAÇÃO, DIVULGAÇÃO E APRESENTAÇÃO, ESTANDO PROIBIDO A MUDANÇA OU ALTERAÇÃO DE SEU CONTEÚDO.
  
  
Fonte: MIDC, MAPA, BACEN E SRF.
  
  
Abs
 
 
 

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May
11

Terrazas de los Andes- viagem a Mendoza



 

 

Adegas da Terrazas de los andes

Adegas da Terrazas de los andes

Fizemos uma viagem muito agradável à Mendoza na Argentina, éramos dez jornalistas de várias áreas profissionais, convidados pela Terrazas de los Andes/Bodegas Chandon argentinas; empresas comandadas pelo tambem presidente da Cheval Blanc e do Château d’Yquem da França,  Pierre Lurton  e do grande enólogo hoje quase argentino Nicolas Audebert.

Explico que alguns dos jornalistas eram da área de gastronomia, outros de vinhos, outros de moda, outros de cosméticos, eu representei a Revista GOSTO. Foi um grupo formidável que me fez esquecer o péssimo mau tempo. Ganhamos na loto do mau tempo; numa região considerada quase desértica e sem chuvas, (chove apenas 30 dias por ano) e por isso é uma ótima região produtora de vinhos, acertamos em cheio, quatros dias frios entre 5 e 12°C, sem ver nem o sol, nem a famosa Cordilheira dos Andes.

Em 1990 foi a época inicial que a Bodegas Chandon começou a produzir vinhos finos e elegantes na região.  Lá chamam de “Terrazas” os vinhedos situados em alta altitude, e em escadas de altura, entre 900 e até 1500 metros acima do nível do mar, e que têm a característica de produzirem melhor nestas variações climáticas, as clássicas uvas Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e outras, cada uma produzindo melhor em cada uma dessas altitudes.     

Pela secura do clima, possuem uma incrível rede artificial de canais para a irrigação dos vinhedos locais; águas límpidas e transparentes dos degelos da cordilheira formam o rio Mendoza, e a partir dele a rede de irrigação. Nesse sistema, podem fazer um controle rígido dando mais e menos quantidade de água para cada vinhedo considerado, e tem mais, a água é paga aos cofres públicos conforme a quantidade usada, mesmo sabendo que drena naturalmente e grátis das montanhas. Existe um sistema inteligente de mini comportas que podem desviar os fluxos de água até as posições desejáveis dentro dos vinhedos.

Nos vinhedos também existe um sistema forte, caro e rígido de telas que protegem principalmente os vinhedos das uvas Malbec, cujas cascas são mais finas e frágeis, para suportar os granizos. Uma chuva de granizo pode arruinar a produção não somente naquele ano, mas os danos podem prejudicar a produção e a recuperação demorar até três anos. 

Houve muitas compensações para redimir o mau tempo. Normalmente em todas as vinícolas que já visitei na vida, no período das colheitas e vindima os recepcionistas e enólogos odeiam receber e passear com os turistas, até mesmo jornalistas especializados.  Desta vez surpreendi-me com as gentilezas de todos recepcionista e enólogos, principalmente o Gustavo Ursomarso, um dos encarregados de toda a produção dos Terrazas de los Andes, que nos acompanhou, provando pacientemente conosco, e comentando todas as etapas da vinificação, ensinando-nos todos os truques dos processos e nos fazendo provar das várias cubas em evolução em que os vinhos estavam em processo fermentativo, em suas várias etapas, desde um suco no primeiro dia de fermentação, em seguida no segundo, sétimo, décimo quinto, até os de mais de 20 dias com o vinho praticamente pronto. Foi uma experiência inesquecível provar todas estas etapas da vinificação de um mesmo tipo de uva e de um mesmo vinhedo. Toda a produção é vinificada separadamente em 60 a 70 grandes cubas de aço e após 6 meses é que fazem a “assemblage” final para o amadurecimento.

O vinho Cabernet Sauvignon amadurece em barricas novas francesas e o Malbec em barricas de um ano, com tostado médio.

Em uma das tardes  fizemos uma prova vertical do vinho Cheval des Andes desde sua  primeira edição em 1999, seguidas das de 2002, 2006 e 2007. Estavam todos muito bons, finos, delicados e elegantes, com um amadurecimento muito positivo, surpreendendo-me, pois as comuns críticas inglesas são de que estes vinhos sul americanos não conseguem envelhecer bem. O mais antigo já com 13 anos, estava com ótima estrutura, e taninos macios e sem dúvidas suportam ainda mais anos de guarda.

 

Outra simpaticíssima degustação à luz de velas dentro da adegas centenárias, estilo espanhol do final de 1800, lindamente restaurada. Bebemos os vinhos Terrazas de los Andes – Varietais e “single vineyards”.

Os tintos Cabernet Sauvignon 1999, 2002, 2005, 2007 e Malbec  1997, 2001, 2006, 2008. Todos homogeneamente muito bons, frutado, com boa estrutura e tanicidade, numa tentativa de demonstrar a boa qualidade e potenciais de guarda e amadurecimento.

 

O aprendizado final foi compreender melhor os truques e prazos na vinificação dos vinhos e que os vinhos tintos de Malbec e Cabernet Sauvignon, com muita cor, estrutura, álcool, frutas e taninos, têm grande potencial de guarda, com melhora com seus envelhecimentos. Tanto nos vinhos com misturas de Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot como no Cheval des Andes, bem como nos principais Varietais ou seja com 100% das uvas de Malbec e  Cabernet Sauvignon.

 

Sep
22

Landelia Syrah 2005 – Alto Agrelo Mendoza – Argentina



 

Esta uva Syrah originária do Rhône, que também se acha que vem da antiga Pérsia, produz sempre agradáveis vinhos pelo mundo todo, no Rhône norte os Côte Rôtie e Hermitage  são os mais famosos, ótimos e longevos, na Califórnia bons vinhos, muito bons e versáteis em características os australianos, Shiraz.

Na Argentina sua produção aumenta gradualmente, com melhora de suas qualidades, lá já dão vinhos agradáveis em diversas regiões, com boa aceitação na Provincia  San Juan e também em Mendoza, de onde vem este, do Alto Agrelo, Luyan de Cuyo.

Com cor rubi bastante escuro

Seus aromas suaves, delicados, agradável fruta vermelha, média intensidade, com torrefação interessante,  dirigindo-se ao café.

Na boca é bom, tem boa acidez no ataque inicial, bastante fruta prazerosa e é longo.

É um Espadilha com bom preço.

Importado pela Ana Import www.anaimport.com.br da Bahia, avenida Euclides da Cunha170 – Graça- Salvador – Tel 071  3337-1111. Em São Paulo 011 3951-4333.

Também no revendedor com bons preços para os leitores www.zedovinho.com.br, R$ 50, na BR Bebidas Importadas, www.brbebidas.com.br rua Leopoldo Couto de Magalhães, 622 – Itaim Bibi – São Paulo – CEP 04542-010  –    Tel  011 3071-0777.

 

Apr
30

Swinto Malbec 2005 Luyán de Cuyo Mendoza Argentina



swinto_malbec_big

 

Já mencionei outro dia que está uva Malbec foi adotada pela Argentina como representante de uma uva nacional neste país, embora tenha suas orígens na França.

Na Argentina é pródiga, amadurece bem, produz vinhos com muita cor e muito álcool, o que deixa uma infinidade de consumidores no mundo todo, muito felizes com esta robustez.

Este Malbec com 14,5% álcool, com 5 anos está ainda bastante jovem, pode ser que já esteve mais jovem ainda em anos anteriores, mas somente recentemente fui apresentado a ele.

Com uma bonita cor rubi bastante escura, opaca contra uma toalha branca, quase impenetrável.

Seu aroma é de intensidade média, de boa complexidade, com frutado dominante das frutas vermelhas, com as clássicas características desta uva, a da goiabada, mas  também com componente herbáceo.

Na boca é muito robusto, com a presença do álcool inicial, dos ácidos bem dosados e dos taninos arredondados e macios, embora se perceba um natural final tânico, é longo e muito potente.

Precisa de um bom churrasco em sua companhia

 

É um Espadilha

 

Importado pela Obra Prima Importadora de Curitiba, Fone:               

    55 (41) 3085-0030  

 

Na BR Bebidas,      0113071 0777   para nossos leitores R$ 105

Apr
22

Finca Ñ Malbec 2006 Mendoza Argentina



Finca Ñ Malbec 2006 

A uva Malbec sempre está bem representada na Argentina, país que adotou esta uva bordalesa como uma ótima opção para seu terroir, onde dão bons vinhos.  Até na região de Bordeaux  ela não é mais muito cultivada por baixa produtividade. Produzem vinhos muito coloridos, robustos e alcoólicos.

 

Esta amostra de cor bastante escura.

Seus aromas agradáveis, média intensidade, com frutas em compota e um final com os das cerejas.

Na boca é bom, frutado com as cerejas, equilibrado, bom corpo e estrutura.

 

É um Pica Fumo – bom

Importado pela Brasart Comercial Import e Export

Rua Dom Vilares, 258  – Vila das Mercês – São Paulo/SPTel                (11) 5575-9725         (11) 5575-9725                (11) 5575-9725         (11) 5575-9725, não comercializa no varejo. 

Na BR Bebidas Importadas, na rua Leopoldo Couto de Magalhães, 622 – Itaim Bibi – São Paulo – CEP 04542-010      Tel.  011  3071-0777   –  custa R$ 46 (pode até pedir um desconto).

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Oct
27

Visão geral da Argentina



No mundo do vinho pode ser uma surpresa para algumas pessoas, saber que a Argentina está entre os 10 principais produtores mundiais de vinhos e de uvas.

É também é surpreendente que o consumo médio, per capita, atinja o nível de 34 litros de vinho por ano, por habitante, e já foi maior, muito próximo dos grandes consumidores mundiais europeus. Deste consumo, cerca de 10 litros são de vinhos finos.

Na história dos vinhos da Argentina sabe-se que as primeiras videiras foram plantadas na em 1554, vieram da região de La Serena no Chile, trazidas pelo padre Juan Cidrón que alguns anos depois, junto com um dos fundadores de Mendoza, Juan Jufré, incrementam o seu plantio nessa região, se expande, e é quando começa então o desenvolvimento viti-vinícola do país.

A uva plantada naqueles tempos iniciais foi a chamada uva “Criolla”, que produz vinhos simples e rústicos de mesa, até hoje.

Posteriormente o agrônomo francês Miguel Poget, em 1853, introduz a uva Malbec, que se adaptou muito bem no país, expandiu muito em todas as regiões vinícolas, e se tornou hoje um orgulho nacional pela ótima qualidade dos vinhos que produz. Durante anos e séculos, a produção foi restrita aos vinhos de mesa, com o interesse de produção praticamente voltado às quantidades e menos às qualidades. Mesmo com a presença no país de uma grande variedade de uvas francesas, italianas e espanholas foi muito lento o progresso em qualidade. Toda a produção visava principalmente satisfazer o mercado interno pouco exigente.

Somente a partir dos anos setenta do século passado, que se começa a sentir nos produtores o desejo e interesse na produção de vinhos mais finos, com grande qualidade, objetivando a sua comercialização no mercado internacional.

Como na média seus vinhos eram de qualidade regular para inferior, foi com o melhor conhecimento comparativo dos seus vinhos, com os do mercado internacional, e com grandes investimentos, que houve uma grande melhora da qualidade. Usando então uma moderna tecnologia nos processos de plantio e vinificação, introduzindo como no Chile as barricas de carvalhos importados da França e dos estados Unidos, conseguiram produzir vinhos cada vez de melhor qualidade chegando a ponto de produzirem hoje, vinhos de qualidades realmente notáveis.

Foi com o desenvolvimento de melhores vinhedos, com uvas mais nobres, processos de vinificação utilizando cubas de aço com controles de temperaturas baixas na fermentação e os carvalhos é que então conseguiram produzir vinhos muito finos que tivessem uma aceitação internacional fácil, e que colocou o país dentro do clube dos melhores produtores mundiais.

Atualmente a Argentina está fazendo grandes esforços para recuperar certo tempo perdido em relação ao grupo de viti-vinicultores do novo mundo, e realmente está conseguindo seus objetivos.

Investidores estrangeiros aproveitando o bom momento estão aplicando pesado nessa linha.

A Concha y Toro do vizinho Chile fundou a Trivento.

A Sogrape portuguesa do vinho Barca Velha comprou a Finca Flichman.

O californiano Kendall-Jackson  adquiriu a Viñas de Tupungato.

O grupo francês Pernaud-Ricard está dirigindo a Etchart.

A área cultivada em vinhedos é de 193.000 ha com um volume de produção de 12,7 milhões de hl, com uma exportação de 10%.

 

 

REGIÕES

 

As regiões produtoras se encontram entre os paralelos 25 e 40, aos pés e à leste das cordilheiras dos Andes, nas mais variadas altitudes de 300 a 2300m, estando na mesma latitude com outro lado das cordilheiras, onde estão as nobres regiões vinícolas chilenas.

O clima é continental semi-árido, com mínima precipitação de chuvas e poucos ventos violentos. Nelas é muito positiva e marcada a amplitude térmica entre os dias e noites.

Como em todas as boas regiões vinícolas do mundo, em toda sua extensão vinícola, podemos encontrar pequenas e particulares variedades de solos e climas, os chamados “terroirs”, que permitem os pequenos cultivos e vinificações especiais de uma variedade de uva que melhor se adapte a cada um deles.

Cuidados especiais com os vinhedos são necessários. Pela falta de água devem fazer irrigações artificiais por gotejamentos com auxílio das águas de degelo dos Andes ou com águas subterrâneas encontradas em bolsões, verdadeiros oásis. Devido aos granizos são necessárias o uso de malhas protetoras anti-granizos.

Felizmente devido ao próprio clima, as pragas comuns das uvas são poucas e em pequena intensidade. A temível Phylloxera não encontra boas condições para seu desenvolvimento e é bem controlada. Tanto é verdade que a grande maioria dos vinhedos são de pés francos.

Finalmente existe uma consultoria internacional muito ativa para se conseguir os melhores resultados.

As grandes regiões partindo de norte para o sul são:

Jujuy, Salta, Catamarca, La Rioja, San Juan, Mendoza, Neuquén e Rio Negro.

Dentro destas grandes regiões principais, existem famosos vales que compõem a grande constelação argentina dos vinhos.

O vales produtores famosos podem ser resumidos assim: 

 

  • Vales Calchaquís

 

Situados a na região sudoeste da província de Salta, no extremo norte do país, com 1500 há., formados por um conjunto de vales profundos, a 1500m do nível do mar.

Calfayate é seu centro principal, seu vinho mais importante é o branco Torrontés Riojano, cuja uva encontrou as condições ideais para sua cultura. O solo é arenoso e profundo permite um bom crescimento das videiras, com verões longos, com temperatura média anual de 15 ºC.

 

  • Vales Famatina

 

Estão localizados na província de Rioja, formados pelos vales de: Nonogasta, Chilecito Vichigasta, Famatina, Antinaco, e outros. Com 7000 há., onde as chuvas são escassas, possuem sistemas de irrigação. Encontram-se a 935m de elevação. Quase 50%

da produção é de Torrontés Riojano.

 

  • Vale Tulúm

 

Encontra-se na província de San Juan, seguindo o Rio San Juan, a 630m de altitude, com chuvas escassas e temperatura média 17º. O solo da margem direita é adequado às videiras com solo argiloso e arenoso. Tem uma área de 45.000 há, plantados no sistema de parreiras. É a 2a. região produtora em volume no país.

Nestes últimos tempos foram plantadas cerca de 2000 há. no sistema de espaldeira, de alta qualidade enológica, e com os vinhedos já existentes uma grande preocupação em melhorar sua qualidade.

Produzem típicos vinhos doces de Moscatel de Alexandria, Torrontés, Chenin blanc e Pedro Ximenes.

Existem outros vales dentro desta mesma região Ullum, Zonda, Jáchal e Vale Fértil.

No Vale Pedernal estão bem adaptadas as Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay

 

  • Norte de Mendoza

 

Situada em baixa altitude, entre 600 e 700m ,  irrigada pelo rio Mendoza, nos municípios de Lavalle, Maipú, Guaymallén, Las Heras e San Martin, com temperatura média de 25,4ºC no mês mais quente e 7,2 ºC no mês mais frio.

 

  • Alto Rio Mendoza

 

Esta é a mais importante região produtora de vinhos finos. Está situada a 33º de latitude sul, aos pés da cordilheira dos Andes, que é junto com o rio sua grande fonte fornecedora de água. Situada a uma altitude de 1060 a 1650 m do nível do mar, é muito propícia para a plantação de vinhedos de alta qualidade. O clima é temperado e árido, as chuvas e umidade muito limitadas, mesmo em invernos frios a neve é rara, nesta altitude. A água tem origem no derretimento das neves da cordilheira. Podemos encontrar em curtas distâncias de espaço, em altitudes mais baixas, temperatura mais altas. Encontramos então vários microclimas, que enriquecem a diversificação dos muitos tipos de vinhos produzidos.

Como encontramos nesta região, grandes variações de temperaturas entre os dias e noites, seus vinhos tintos podem se apresentar com uma coloração bastante intensa e com bastante tanino, fatores estes muito favoráveis a um vinho que deva envelhecer.

 

O solo é o das rochas de montanhas, com uma fina camada de areia ou argila. O subsolo é pedregoso, ricos em calcários, pouco férteis e agrestes, mas que estas características são favoráveis à produção de vinhos de qualidade.

 

Os vinhedos são cerca de 30.000 ha, o sistema dos vinhedos é de espaldeiras com 3 arames e grande quantidade de videira por hectare.

 

Nesta região encontram-se cerca de 360 vinícolas.

 

  • Leste de Mendoza

 

É uma região de planície, irrigada pelo rio Tunuyán. Possui cerca de 60.000 ha. de vinhedos, localizados a 750m de altitude. Possui um dos sistemas mais avançados de irrigação artificial, de cultivo, e de tecnologia da produção vinícola.

 

Zona do Vale de Uco

 

Esta região abrange vinhedos cultivados nos municípios de Tunuyán, Tupungato e San Carlos. Com altitudes entre 800 e 1200m, com invernos muito frios e verões quentes, com temperaturas que variam cerca de 15 º, entre os dias e noites, produzindo vinhos de guarda. Com 13.000 ha cerca 4% da área de Mendoza, com vinhos de excelente qualidade com Semillon e Merlot

 

  • Sul de Mendoza

 

Incluem as províncias de San Rafael e General Alvear, é um oásis irrigado pelos rios Atuel e Diamante. Altitude de 800m em Las Paredes e Cuadro Nacional, e 450m em Carmensa.

 

  • Vales de Rio Negro

 

Situados na província de Rio Negro, é uma grande região, vai desde os pés da cordilheira até a união dos rios Neuquén e Limay, com 80.000 ha. irrigados. Produzindo muitas frutas variadas e cerca de 5400 ha. de vinhedos.

É a região mais meridional da Argentina que produz vinhos, também é a mais baixa em altitude, cerca de 300m.

O clima é temperado e seco, a temperatura média é de 15 ºC.

Os solos são os característicos dos desertos, alterados nas regiões irrigadas.

 Seus vinhos possuem baixos níveis de açúcar e exagerada acidez.

Estão produzindo as uvas de ciclo curto como Merlot, Pinot noir, Semillon e Sauvignon blanc.

 

 

Viticultura e Vinificação

 

As imigrações européias italiana, espanhola, alemã, e francesa muito contribuíram para o desenvolvimento do vinho.

As variedades das uvas sempre foi um tema polêmico neste país porque o controle das qualidades dos vinhos e o estudo das cepas com as quais estes eram produzidos não tinham uma fidelidade científica confiável.

Os vinhedos tinham uvas de vários tipos misturadas.

Um trabalho paciente e longo do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) ajudou a esclarecer esta situação.

Atualmente, com os estudos e a importação de cepas nobres européias, estabeleceu-se uma produção séria, rica, confiável e até com alguns vinhos bem característicos.

 

Uvas brancas

 

  • Chardonnay, originária da Borgonha, é uma das mais famosas e pródigas em todo o mundo, se adaptou muito bem e, ultimamente tem produzido excelentes vinhos naturais e espumantes.

Produzem vinhos ricos bem estruturados, com boa complexidade, equilibrados nos aromas e sabores.

  • Chenin, proveniente do Vale do Loire na França, produz vinhos com boa fragrância.
  • Sauvignon Blanc, produz bons vinhos, com muitas características aromáticas e gustativas.
  • Semillon
  • Riesling , com origens discutidas entre os da a Alsácia e Alemanha ou do tipo itálico, produzem vinhos de boas qualidades.
  • Traminer e Gewürtztraminer, produzem vinhos frutados e essencialmente  aromáticos.
  • Torrontés com variedades de Rioja e de Mendoza, um dos vinhos tipicos do país onde praticamente só lá se encontram, produz um Torrontés de Cafayate (Salta), também do gênero aromático.
  • Ugni Blanc – é uma uva mais rústica, às vezes ajuda a dar mais acidez nos espumantes.
  • Pedro Ximénez, não é a mesma espanhola, mas serve para produzir um tipo de xerez.

 

 

Uvas tintas

 

  • Cabernet Sauvignon – produz como em todo o mundo os mais finos vinhos tintos. Em quase todos os vinhos de qualidade da Argentina esta uva está presente em maior ou menor proporção. Esta é a segunda uva tinta mais plantada, para os vinhos finos.
  • Malbec – É a uva tinta mais plantada, sendo a que mais se usa na produção tintos argentinos. Não era considerada até há poucos anos como uma  uva de categoria fina que pudesse produzir vinhos de grande qualidade. Quando bem elaborado, os vinhos dessa uva estão surpreendendo o consumidor internacional, pela sua qualidade. Tão boa foi sua adaptação que produzem vinhos de melhor categoria que os da França, seu país de origem.
  • Syrah, começam ser produzidos vinhos com esta uva, com boas expectativas por parte dos produtores, e com incremento na sua produção.
  • Tempranillo, de origem espanhola, que produzem vinhos muito bons e coloridos, está aumentando a sua produção na Argentina. 
  • Lambrusco, a uva assim conhecida na Argentina, não é a do mesmo nome que produzem os espumante da região da Emiglia-Romagna na Itália, parece ser a uva Refosco também lá da  Itália. Seus vinhos são medíocres, mas como são fortes e bem coloridos, são usados nos cortes, para dar mais cor final aos vinhos.
  • Sangiovese – produzem vinhos simples na Argentina, mas com bom rendimento e baixo custo.

                                                                                                                                                                                                                 

PRODUÇÃO

 

Somente 2 % dos vinhos argentinos são exportados. No ano de 1997(atualizar dados) a exportação de vinhos de mesa foi de 78 milhões de litros, dos vinhos finos 42 milhões de litros, de espumantes 300 mil litros e outros tipos 600 mil litros. A Inglaterra e os Estados Unidos são seus maiores importadores.

 

CLIMA

 

O clima do país é temperado e temperado frio semi-desértico. As massas úmidas do oceano Pacífico quase não ultrapassam as cordilheiras dos Andes, precipitam em chuvas no Chile e em neves nas cordilheiras. As massas atlânticas mal chegam lá, deste modo é um temperado desértico com necessária irrigação artificial, cujos canais construídos há séculos pelos indígenas, com as águas de degelo. Com sistemas de inundações para os pés francos e gotejamento nos enxertados.

Seus vinhedos estão situados entre 500 e 1200m de altitude, com grande amplitude térmica protegem a saúde das uvas.

 

SOLO

 

Os vários tipos de solos, variando de arenosos a argilosos, alcalinos, ricos em cálcio e potássio, pobres em matérias orgânicas, nitrogênio e fósforo, com pH neutro.

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