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May
11

Terrazas de los Andes- viagem a Mendoza



 

 

Adegas da Terrazas de los andes

Adegas da Terrazas de los andes

Fizemos uma viagem muito agradável à Mendoza na Argentina, éramos dez jornalistas de várias áreas profissionais, convidados pela Terrazas de los Andes/Bodegas Chandon argentinas; empresas comandadas pelo tambem presidente da Cheval Blanc e do Château d’Yquem da França,  Pierre Lurton  e do grande enólogo hoje quase argentino Nicolas Audebert.

Explico que alguns dos jornalistas eram da área de gastronomia, outros de vinhos, outros de moda, outros de cosméticos, eu representei a Revista GOSTO. Foi um grupo formidável que me fez esquecer o péssimo mau tempo. Ganhamos na loto do mau tempo; numa região considerada quase desértica e sem chuvas, (chove apenas 30 dias por ano) e por isso é uma ótima região produtora de vinhos, acertamos em cheio, quatros dias frios entre 5 e 12°C, sem ver nem o sol, nem a famosa Cordilheira dos Andes.

Em 1990 foi a época inicial que a Bodegas Chandon começou a produzir vinhos finos e elegantes na região.  Lá chamam de “Terrazas” os vinhedos situados em alta altitude, e em escadas de altura, entre 900 e até 1500 metros acima do nível do mar, e que têm a característica de produzirem melhor nestas variações climáticas, as clássicas uvas Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e outras, cada uma produzindo melhor em cada uma dessas altitudes.     

Pela secura do clima, possuem uma incrível rede artificial de canais para a irrigação dos vinhedos locais; águas límpidas e transparentes dos degelos da cordilheira formam o rio Mendoza, e a partir dele a rede de irrigação. Nesse sistema, podem fazer um controle rígido dando mais e menos quantidade de água para cada vinhedo considerado, e tem mais, a água é paga aos cofres públicos conforme a quantidade usada, mesmo sabendo que drena naturalmente e grátis das montanhas. Existe um sistema inteligente de mini comportas que podem desviar os fluxos de água até as posições desejáveis dentro dos vinhedos.

Nos vinhedos também existe um sistema forte, caro e rígido de telas que protegem principalmente os vinhedos das uvas Malbec, cujas cascas são mais finas e frágeis, para suportar os granizos. Uma chuva de granizo pode arruinar a produção não somente naquele ano, mas os danos podem prejudicar a produção e a recuperação demorar até três anos. 

Houve muitas compensações para redimir o mau tempo. Normalmente em todas as vinícolas que já visitei na vida, no período das colheitas e vindima os recepcionistas e enólogos odeiam receber e passear com os turistas, até mesmo jornalistas especializados.  Desta vez surpreendi-me com as gentilezas de todos recepcionista e enólogos, principalmente o Gustavo Ursomarso, um dos encarregados de toda a produção dos Terrazas de los Andes, que nos acompanhou, provando pacientemente conosco, e comentando todas as etapas da vinificação, ensinando-nos todos os truques dos processos e nos fazendo provar das várias cubas em evolução em que os vinhos estavam em processo fermentativo, em suas várias etapas, desde um suco no primeiro dia de fermentação, em seguida no segundo, sétimo, décimo quinto, até os de mais de 20 dias com o vinho praticamente pronto. Foi uma experiência inesquecível provar todas estas etapas da vinificação de um mesmo tipo de uva e de um mesmo vinhedo. Toda a produção é vinificada separadamente em 60 a 70 grandes cubas de aço e após 6 meses é que fazem a “assemblage” final para o amadurecimento.

O vinho Cabernet Sauvignon amadurece em barricas novas francesas e o Malbec em barricas de um ano, com tostado médio.

Em uma das tardes  fizemos uma prova vertical do vinho Cheval des Andes desde sua  primeira edição em 1999, seguidas das de 2002, 2006 e 2007. Estavam todos muito bons, finos, delicados e elegantes, com um amadurecimento muito positivo, surpreendendo-me, pois as comuns críticas inglesas são de que estes vinhos sul americanos não conseguem envelhecer bem. O mais antigo já com 13 anos, estava com ótima estrutura, e taninos macios e sem dúvidas suportam ainda mais anos de guarda.

 

Outra simpaticíssima degustação à luz de velas dentro da adegas centenárias, estilo espanhol do final de 1800, lindamente restaurada. Bebemos os vinhos Terrazas de los Andes – Varietais e “single vineyards”.

Os tintos Cabernet Sauvignon 1999, 2002, 2005, 2007 e Malbec  1997, 2001, 2006, 2008. Todos homogeneamente muito bons, frutado, com boa estrutura e tanicidade, numa tentativa de demonstrar a boa qualidade e potenciais de guarda e amadurecimento.

 

O aprendizado final foi compreender melhor os truques e prazos na vinificação dos vinhos e que os vinhos tintos de Malbec e Cabernet Sauvignon, com muita cor, estrutura, álcool, frutas e taninos, têm grande potencial de guarda, com melhora com seus envelhecimentos. Tanto nos vinhos com misturas de Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot como no Cheval des Andes, bem como nos principais Varietais ou seja com 100% das uvas de Malbec e  Cabernet Sauvignon.

 

Apr
22

Montepulciano d’Abruzzo 2004 Riserva – Teramane – Nicodemi – Abruzzo Itália



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A Província de Abruzzo está situada na região central da Itália em sua costa Adriática na altura de Roma e em frente da Croácia. Região quente, onde uma das  características de suas uvas é um super amadurecimento, dão todos os tipos de vinhos: brancos, tintos, rosados, espumantes, secos e doces, com uvas locais e internacionais, mas realmente as uvas dominantes são as locais: branca Malvasia de Abruzzo, diferente da toscana, e a tinta que é a mais plantada na região, a Montepulciano de Abruzzo, e que não deve ser confundido pelo nome,  com os vinhos de Montepulciano, da cidade do mesmo nome na Toscana.

Todos os vinhos com a Montepulciano dão vinhos com aromas e sabores de uvas super maduras,  tendendo para um sabor dos vermutes, robustos e concentrados, com taninos macios, não intensos.

Este, provado foi na versão “Riserva”, que deve ter pelo menos 30 meses de envelhecimento, sendo um mínimo de 9 meses em madeira.

Tem cor bastante escura, impenetrável.

Aromas frutados intensos e longo, característicos dos super maduros, mas agradável.

Na boca é bastante concentrado nas frutas e estruturado, 13,5° alcoólico, bem equilibrado, e até delicado, bom corpo, taninos macios e ricos na complexidade.

É um Espadilha, característico do local, mas caro.

Seus preços variam de R$ 66,30 o mais simples, até o deste comentado que custa R$ 225,90

Importado pela Decanter  –  www.decanter.com.br  com lojas, representantes e enotecas em todo o Brasil.

Em São Paulo, na Rua Joaquim Floriano 834 – tel 11 3074-5454.

 

 

 

 

Oct
5

Vouvray 2007 Guy Saget – Loire – França



O castelo de Chambord no vale do Loire

O castelo de Chambord no vale do Loire

A uva branca Chenin Blanc, também conhecida como Pineau de la Loire , produz interessantíssimos e cativantes vinhos na região do Loire. É bem verdade que a região do vale do Loire abriga uma enorme quantidade de denominações de origem controlada – AOC – na França, com enorme diversidade de todos os tipos de vinhos. Vai desde o oceano Atlântico com os vinhos Muscadet até os Sancerres e Poully Fumé na parte central da França ao sul da cidade de Orleans, e entre eles, as denominações de Anjou,  Saumur, Bourgueil Chinon, e Vouvray.

 Esta região é muito próxima de Paris, este vale abriga também talvez os mais lindos castelos franceses, onde qualquer curioso turista não pode deixar de conhecer, e é muito fácil, saindo de Paris de ônibus, com excursões toda hora, para se passar o dia lá.  

Voltando à Chenin, é uma uva muito rica de qualidades, versátil, pois tendo  alta acidez, produz diversos tipos de vinhos, desde os espumantes ( os Crémant de Loire) aos de sobremesas botritizados (bastante longevos nas boas safras) com deliciosos secos de mesa. No Novo mundo parece que a África do  Sul adotou esta uva como sua grande produtora, lá é chamanda de Steen.

Vouvray uma cidade que está localizada pertinho da cidade de Tour, ou seja, é um vinho do distrito Touraine, onde esta  “appéllation”produz quase exclusivamente vinhos brancos, e com esta uva.

 

Este que bebi recentemente, deste produtor bastante conhecido e sério, esteve ótimo no nariz e boca.

Seus aromas leves , com a delicadeza das frutas brancas, maçãs e peras.

Na boca é muito bom, agradável, macio, equilibrado com vivacidade, bom corpo, longo, frutado com toque herbáceo.

É um Escopeta

Preço $ 29,90 dólares.

Importado pela Mistral www.mistral.com.br , Rua Rocha 288, São Paulo .Tel. 011 3372-3400 begin_of_the_skype_highlighting              

Pode ser encontrado também, na BR Bebidas, sempre com desconto, avisando que é leitor do www.zedovinho.com.br  na rua Leopoldo Couto de Magalhães, 622 – Itaim Bibi – São Paulo – CEP 04542-010   Tel 11  3071 -0777 begin_of_the_skype_highlighting contato@brbebidas.com.br  –  www.brbebidas.com.br         

 

 

 

Apr
12

O CICLO DAS UVAS



O broto ds uvas na Primavera

O broto ds uvas na Primavera

 

 

Depois do inverno, rigoroso, principalmente nos países europeus, inicia-se um novo ciclo vegetativo na vida das uvas, que culminará após 9 meses, com a colheita e conseqüente produção  de um novo vinho, em quase tudo semelhante, mas diferente em cada ano. É a riqueza da variabilidade das uvas, do talento do enólogo, e o aproveitamento da experiência anterior do artesão é que ele pode produzir sua próxima nova obra de arte, o vinho do ano.

Nos vinhedos, no primeiro mês da primavera, uma linfa começa a circular, daí aparecem os primeiros brotos, que serão diferenciados em folhas e frutos. É necessário cerca de 20°C para a uva florescer, o que acontece em Maio nas regiões mais ao sul, e Junho nas regiões mais ao norte, tudo em se tratando de  hemisfério norte.

Em Champagne 100 dias, após aparecer as flores, se dá a colheita dos frutos; diferentes critérios de amadurecimentos acontecem para cada região e cada  vinho.

Por exemplo, é bem diferente o critério de madura e pronta para a colheita para a Pinot Noir na Champagne e na Bourgogne!

Devido à situação geográfica e conseqüentemente climática, a colheita se dará mais prematura ou tardiamente, dependendo do tipo de uva escolhido e plantado.

Pelas variações mínimas climáticas e da composição do terreno, cada uva se adapta melhor à cada micro clima e região; produzindo melhor um determinado tipo de uva e conseqüentemente de vinho.

Assim, grosso modo, os produtores plantam num clima um pouco mais frio as uvas que amadurecem mais precocemente, pois precisam de menos calor do Outono. As outras de maturação tardia  precisam de um pouco mais de calor para seu perfeito amadurecimento. Isto quer dizer, não é uma preferência de gosto, mas de perfeita adaptação das uvas às regiões. É isto que fazem os vinhos regionais serem produzidos com as uvas locais certas e produzirem os melhores vinhos possíveis.

A referência é a uva Chasselas, a mais precoce, e junto com ela vêm:

Primeira época: Müller-Thurgau, Chardonnay, Pinor Noir, Gamay, Tempranillo e  Merlot.

Segunda época: amadurecem 10 a 15 dias depois: Zinfandel, Riesling, Sylvaner, Muscat petits grains, Syrah e Cabernet Sauvignon, etc.

Terceira época: 12 – 15 dias mais tarde. Carignan, Grenache e Ugni Blanc (Trebbiano).

Quarta época amadurecem depois destas últimas: Muscat de Alexandria e Nebbiolo.

Existem ainda as colheitas tardias, que são propositalmente uvas colhidas super maduras, produzem vinhos especiais, com uvas virando passas, que geralmente produzem vinhos doces licorosos ou secos com grande teor alcoólico. (Sauternes e Tokaj)

Uma outra variável deste tipo de colheita é colher as uvas no seu amadurecimento normal, mas estocá-las para secar e virar uvas passas, concentrando seus açucares, e depois vinificá-las. Entre os muitos existentes, o doce Recioto e o seco Amarone, ambos da Valpolicella ou no doce Vin Santo da  Toscana, etc.,etc.

 

É crucial o momento da colheita, é particular para cada região e para cada tipo de vinho e cada safra, deverá haver um equilíbrio perfeito de maturação considerando a acidez, o açúcar, os taninos.

Imediatamente após a maturação perfeita, as uvas param de acumular açúcar e começam a perder acidez e em curtíssimo tempo, questão de um dia, podem perdem o ótimo equilíbrio.

Neste momento um fator real e objetivo, o valor das safras, se junta a um fator subjetivo, o talento do produtor, para se produzir o vinho ideal para a região.

Oct
28

Algumas uvas e suas histórias



BRANCAS:

SAUVIGNON BLANC

Uva Sauvignon Blanc

Uva Sauvignon Blanc

Está entre as uvas clássicas e nobres neste momento, dando vinhos brancos, secos, nervosos, de grande qualidade e procura. Embora seja clássica das regiões de Bordeaux e Vale do Loire dão vinhos frutados e elegantes em todo o mundo, na Nova Zelândia com frutas verdes e delicioso vegetal, África do Sul frutado delicado, no Chile mais doce e floral, Califórnia mais seco e leve, diferente do francês, Austrália, etc.

Juntam-se muito bem em Bordeaux em combinação com a uva Semillon e Muscadelle, dando em Sauternes seus imbatíveis vinhos doces liquorosos, usando em cada castelo de 2 a 45%, no Yquem ceca de 20% em sua composição como também no seu Château Y seco com meio a meio com a Semillon.

Na França são produzidas há vários séculos, mas no resto do mundo há apenas poucas décadas participam da família dos vinhos nobres. Dão vinhos muito aromáticos de frutas verdes em Sancerre. Nos Pouilly Fumé, em terrenos calcáreos, dão um mineral à semelhança da pedra de isqueiro. Despercebidos com a capacidade de ter açucares elevados dão vinhos bastante alcoólicos e robustos.

Devem ser bebidos jovens quando se procura seu frescor, mas pela resistência da cêpa amadurecem maravilhosamente, após décadas como nos famosos castelos de Grave (Pessac-Leognan) como os Château Haut-Brion e Laville Haut-Brion, etc.

Como curiosidade, existe na Bourgogne uma exceção onde, a sudeste de Chablis, um vinho de qualidade, em torno da vila de Saint-Brisle-Vineux é produzido com a Sauvignon Blanc.

Já ultrapassou os Pirineus, e em Rueda e Catalunha se apresenta em seus vinhos.

No nordeste da Itália também aparece com elegância e delicadeza.

Em toda a Europa central também sua presença é marcada.

CHARDONNAY

Uvas Chardonnay

Uvas Chardonnay

É a uva branca mais universal, produz vinhos de excelentes qualidades, de  bom e fácil cultivo e vinificação, e muito apreciada por todos os bebedores de vinhos. Ela se adapta muito bem aos variados climas do mundo, com uma ótima produção. Originária da Bourgogne espalhou-se pelo mundo todo, dando vinhos levemente diferentes, sempre com muito boa qualidade.

É bem resistente, mas  uma uva precoce, que sofre quando existe geadas na primavera.

Uma qualidade principal é sua grande reserva em açucares que lhe dá um grande potencial alcoólico, tem muita energia dirigindo seus esforços tanto nas folhas como nos frutos, isto envolve em ter uma densidade maior de plantas e uma poda de folhagem mais intensa.

Tem um bom rendimento 50 hl/ha na Bourgogne. Algumas doenças por vírus podem afetá-la principalmente na África do Sul, Califórnia e Austrália. A uva é de fácil vinificação, mas não se pode perder o ponto da boa acidez na colheita. Seus vinhos devidos seus extratos, e álcool envelhecem muito bem nas barricas de carvalho.

São uvas muito resistentes desde um bom calor às geadas e baixas temperaturas em Champagne e Chabis.

Resistem a diversa técnicas enológicas: fermentação com as cascas por longo período, fermentação em aço  e madeira, centrifugação do mosto, e o método da champanhização.

O rendimento varia enormemente em relação aos clones, fertilidade dos terrenos.

Seus vinhos muito versáteis e diferentes vão desde os champagnes puros, os “blanc de blancs”, passam pela mineralidade de Chablis aos untuosos de Mersault na Bourgogne, ricos com frutas tropicais californianos, amanteigados australianos, potentes chilenos e argentinos. Ainda mel, baunilha e brioche.

Seus aromas embora não muito intensos são bastantes variáveis: maçã em Chablis, melão em Macon, e frutas exóticas e tropicais no ovo Mundo. Untuoso nos Meursault, metálico nos Montrachet e avelãs no Corton Charlemagne.

Sabores complexos com frutas tropicais, aceitam bem a madeira dando uma defumação única, tem boa estrutura para um bom envelhecimento.

Embora se acredite que todas as viníferas tenham-se originado das selvagens, e posteriormente da Moscatel, é realmente uma uva considerada antiga.

Os sírios e libaneses se gabam que foram seus ancestrais que domesticaram esta uva.

Até na Índia em torno de Bombaim se produz um bom espumante com esta uva.

RIESLING

Riesling

Riesling

Esta uva do grupo das brancas tem suas origens nas regiões do Reno na Alemanha e referida na sua história desde o século XV.

É aromática, floral com ótima acidez. É utilizada para produzir variáveis tipos de vinhos: secos, semi-secos, doces e espumantes. Raramente são colocados em madeira em suas confecções e costumam produzir vinhos mono-varietais (de uma só uva), dando vinhos de excelentes qualidades. Elas exprimem intensamente seu “terroir” local, ou seja o caráter e estilo do vinho para determinada região.

Na Alemanha é a mais plantada, bem como na Alsacia da França. Presente ainda na Austria, norte da Italia, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, África do Sul, China e Ucrania.

Seus vinhos são frequentemente consumidos jovens, quando são frutados com maçãs verdes, grape fruit, pêssegos, mel, rosas e gramas cortadas. Dão aos seus vinhos tanto nos novos quanto nos velhos  inconfundível e clássico aroma de petróleo (querosene, benzina, etc). No sabor dão vinhos frutados, vivos, pela sua boa acidez, bem estruturados e harmoniosos. Têm a capacidade de super amadurecerem bem (uvas passas), dando vinhos com doçuras variáveis. Seus vinhos conseguem amadurecer até 10 a 15 anos os secos, e serem nas versões mais adocicadas muito mais longevos, de 20 anos a um século. Como por exemplo os “Trockenbeerenauslese” alemães ou “ Vendenge Tardive ou Sélection de Grains Nobles” da Alsácia.

TINTAS:

CABERNET SAUVIGNON

Cabernet Sauvignon Gaillac

Cabernet Sauvignon Gaillac

É talvez a uva tinta mais importante do mundo, com seu bouquet aristocrático de cedro e cassis, participando da composição dos mais famosos vinhos dos castelos de Medoc em Bordeaux (Lafite Rothschild, Margaux, Latour,etc). São encontrados ainda aromas de pimentão, pimenta do reino, azeitonas , legumes. Na boca quando jovem é estruturado encorpado tânico com frutas e ervas, envelhecido ganha um enriquecimento incrível, com frutas maduras e secas, figos, passas, nozes, pimenta, legumes e champignon.

Muito versátil quanto às regiões, produz bem nos vários climas de todo o mundo, desde as mais frias da Nova Zelândia quanto as mais quente de Bekaa no Líbano.

Foi o Barão Joseph-Hector de Branne, chamado de “ Napoleão dos vinhedos” em 1736, já tinha escolhido esta uva como uma das preferidas dentre muitas, para povoar com exclusividade os vinhedos de Bordeaux.

Sendo uma uva de amadurecimento tardio, pode ter dificuldades se houver umidade e  frio do final do outono, eis o motivo de não se dar bem e não ser a preferida das planícies mais úmidas e frias de Saint Emilion e Pomerol. Por outro lado com os bagos não apertados e com as cascas espessas resistem bem às chuvas, ao apodrecimento e aos insetos. Seu rendimento é pequeno devido a casca espessa e semente grande, dá um vinho duro e tânico, por isso sua necessidade de misturar com vinhos mais leves como Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, para sua harmonia.

Dão excelentes vinhos com a Merlot  na Califórnia e com a Syrah na Austrália.

É clássica a descrição dos aromas como eucalipto e menta para os californianos.

Sua robustez exige sempre um estágio amaciador em carvalhos novos.

CABERNET FRANC

Cabernet Franc

Cabernet Franc

A uva Cabernet Franc originária da região de Bordeaux na França, faz parte das misturas que compõem os famosos vinhos desta região. Quase sempre utilizadas numa proporção pequena dos vinhos famosos. Exceto o Château Cheval Blanc que as vezes é produzido com 100% destas uvas.

Geograficamente falando, é mais comum do lado direito do rio (Côtes, Saint Emilion e Pomerol) que do lado esquerdo ( Médoc e Graves). Amadurecem mais cedo que a Cabernet Sauvignon e aceitam bem o solo argiloso, mas dão o seu melhor em solos pedregosos.

Seus cachos são curtos e densos e dão menos suco que a Merlot.

É a espinha dorsal dos vinhos, dão-lhes a estrutura devidos aos taninos que possuem, que devem ser precisamente maduros. A falta de maturidade em seus taninos os tornam verdes com aromas dos pimentões verdes. Com boa maturidade dão boa densidade na boca e taninos sedosos. Nos aromas desenvolvem desde os das frutas vermelhas até o terroso, defumado e especiarias.

PINOT NOIR

Pinot Noir

Pinot Noir

É considerada uma uva feminina, delicada, imprevisível às vezes e que necessita de muita perseverança, recompensando quando se trabalha bem com ela.

Enquanto as uvas de Bordeaux se adaptam muito bem em todo o mundo, a Pinot Noir tem muita dificuldade de adaptação para produzir vinhos com as características de sua terra de origem, a Bourgogne. Seus vinhos quando jovem tem aromas de framboesas, ou morangos, na França; na Itália e Califórnia dos doces de ameixas em conserva.

Ela é frágil e precoce, mosto é claro e cascas espessas, não carrega muito tanino e coloração, com boa acidez, que é a espinha dorsal dos champagnes, participando do bom corpo de seus vinhos

Cor: rubi claro que se vai para leve marron amarelado com o amadurecimento.

Aromas: frutas vermelhas cassis, groselha, cereja, amora e framboesas

Na maturidade ganha na boca uma enorme complexidade que vai das flores às caças e dos vegetais às trufas, com frutas vermelhas até o animal e cogumelos. São citados mais de 1000 variedades ou clones.

Acredita-se que seja uma das primeiras uvas selvagens escolhidas pelo homem; parece que os vinhos da Galia  Romana já se tratasse dessa uva no IV século. Existem numerosos clones dessa uva na Bourgogne, com peles mais ou menos espessas de onde se pode produzir vinhos claros ou até bem escuros. Produzidas nas regiões frias desde Alsacia e Champagne dando vinhos pouco coloridos e no Loire alguns Sancerres tintos e roses. Dão na Alemanha vinhos muito pouco encorpados e coloridos. Em todo o norte da Itália dão vinhos simples, melhorando quando com um método champanhês produzem bons espumantes, os Franciacorta..

Em muitas regiões do novo mundo se produz também um bom vinho: Califórnia, Oregon, Nova Zelândia, também o Chile, Argentina e África do Sul procuram seus caminhos para dominar os encantos desta uva.

MERLOT

Merlot

Merlot

Parece ser uma cepa relativamente recente, aparecendo em Médoc no século XIX e em Saint Émilion e Pomerol um século antes, é a mais cultivada na região de Gironde, com grandes areas também em Languedoc-Roussignon no sul da França. Apreciada pelos viticultores pelo rendimento dos vinhos e pela também pela adaptação aos vários tipos de solos.

Produz vinhos com aromas finos e elegantes, frutas vermelhas e negras, até champignon, trufas e couro e notas animais quando o vinho está mais maduro. Na boca é suave, leve, redondo, aveludado com boas frutas.

Uma curiosidade é que no inverno de 1956 as videiras foram completamente destruídas em Pomerol e Saint Émilion, mas a proprietária do Château Petrus em vez de replantar seus vinhedos como todos fizeram, preferiu enxertar sobre as velhas videiras a mesma uva obtendo essa maravilhosa recompensa que foi a incrível qualidade em seu vinho.

Junto com um pouco de Cabernet Sauvignon que lhe dá mais aroma e estrutura tânica é possível se produzir um vinho mais leve e pronto para se consumir mais jovem, em cerca de 4 a 5 anos.  Devido a seus leves taninos e aparente doçura, permite produzir um vinho cujo apogeu de amadurecimento se dá num prazo mais curto que os Cabernet Sauvignon.

Produz bem no mundo todo, dando vinhos mais leves talvez devidos à sua produtividade.  Na Itália toda é bastante plantada, dão bons vinhos, mas com apenas algumas super estrelas da região da Toscana, o Masseto da Ornellaia. Poucos e bons na Espanha e Portugal. No Novo Mundo também grandes vinhos são produzidos na Califórnia, Austrália, Chile e África do Sul.

SYRAH

Syrah

Syrah

Embora seja uma uva que produz excelentes e famosos vinhos na região norte do Rhône, os Hermitages e Côte Rôtie, comparáveis aos melhores e nobres da  França não representa mais que 3% das uvas tintas plantadas, embora nas regiões do sul esteja havendo um progressivo aumento. Na Austrália é enorme sua produção, cerca de 40% das tintas plantadas; no entanto pouquíssimos são os produtores que realmente produzem vinhos de grande qualidade. Acredita-se que sua origem seja no oriente médio, na antiga Pérsia, onde existe uma antiga vila chamada Chiraz, numa região vinícola. Na França realmente se instalou inicialmente na Região do Rhône, na época da ocupação romana.

Produz um vinho seco, concentrado, tânico, aromas de cassis.

Nos grandes vinhos apresentam complexidade incrível com cassis, violeta, cerejas, tabaco, chocolate, café, animal, forragem, húmus e seus taninos intensos aveludados. Seus vinhos quando produzidos com uvas muito maduras aumentam seu teor alcoólico  e abrandam seus aromas.

Uva de pés robustos, com produtividade regular, resistente às doenças e de fácil cultivo.

Para manter uma boa concentração de aromas sua fermentação deverá ser longa, com temperaturas adequadas, e seus vinhos colocados em barris de carvalho. Seu amadurecimento é longo na madeira, mas compensando sua espera. No sul do Rhône combina bem com a Grenache. Os viticultores franceses distinguem dois tipos: uma pequena, a melhor, e uma grande Syrah, mais produtiva.

Atualmente em todo o mundo, alem da Austrália, procura-se aprimorar seus vinhos. Desde os visinhos Espanha e Portugal, como as distantes América do Sul e África do Sul estão se dedicando à sua produção obtendo realmente uma grande melhora na qualidade de seus vinhos.

TEMPRANILLO

Tempranillo

Tempranillo

Uva característica das Riojas, mas espalhado pela metade norte da Espanha.

Nelas podemos encontrar dois tipos de cascas, sendo as que têm as cascas mais espessas, dão um vinho com boa cor, mas com baixo teor alcoólico, 10,5%; envelhece bem com algumas semelhanças com a Pinot Noir da Bourgogne; suportam bem o frio.

Ela se beneficia da influencia mais fria do clima atlântico para estender um pouco o período de amadurecimento, ao contrário do clima mediterrâneo que o apressaria.

Seu nome já evidencia que é uma uva que amadurece cedo (temprano), no final de Setembro, duas semanas antes da Garnacha (Grenache), que é outra cepage muito comum da Rioja.

A Garnacha um pouco frouxa e xaroposa, a Marzuelo um pouco rugosa e tânica e a Graciano é delicada, aromática boa de boca, e tem boa aptidão para envelhecer, é de longe a melhor, mais interessante e mais nobre; perde um pouco para a Tempranillo devido seu menor rendimento.

Um vinho puro de Tempranillo tem uma acidez um tanto fraca e sua acidez é quase 50% de ácido málico, por isso pode manter sua cor, mas com poucos anos perderá a vivacidade e as frutas.

Os cortes com variadas uvas Cabernet Sauvignon, Garnacha, etc., ajudam a manter um vinho de melhor qualidade.

È chamada de Tinta Roriz ou Aragonez em Portugal.

SANGIOVESE

Sangiovese

Sangiovese

Uma uva muito beneficiada pelas seleções clonais. Suas origens bastante antigas, referida como usados pelos Etruscos na sua forma selvagem, encontrada em toda a Itália Central, onde vinhos de variáveis qualidades e características podem ser encontrados. De tintos escuros, fracos de qualidades, até os de cores e sabores maravilhosos, os Supertoscanos, Brunellos e Chianti, que encantam o mundo todo pelas suas qualidades, cujos clones os levaram aos níveis dos melhores do planeta.

A etmologia de seu nome sanguis jovis, sangue de Júpiter, do século XVI, confirma sua antiguidade. É também conhecida como Prugnolo em Montepulciano e Brunello em Montalcino.

Existe um clone grande (Sangiovese grosso) e um pequeno (Sangiovese piccolo) o grande é o mais utilizado na Toscana, com maior produtividade, que a família Biondi-Santi  de Montalcino conseguiu uma clonagem com baixa produção. A pequena mais usada na Emilia-Romagna, que para diminuir a produção faz a poda dos frutos.

A Sangiovese produz um vinho com pouca cor necessitando às vezes um corte com uvas mais pigmentadas. Também é pouco resistente à oxidação.

Seus aromas variam muito com uma base terrosa, a acidez é forte, o álcool é médio, e os extratos fracos, sem traços de doçura e taninos sempre presentes.

É a uva dos famosos Chianti que recebem outras uvas para sua composição, brancas e tintas dando  qualidades muito variáveis. Recentemente a adoção das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah na composição dos Chianti premiaram os vinhos com mais bouquet, estrutura, corpo e longevidade.

CARMENÈRE

Carmenere

Carmenere

Esta foi uma importante uva nas regiões de Médoc e Graves até o final do século XIX, quando houve o grande desastre com os vinhedos atacados pela Philloxera. Com o advento do uso dos enxertos com a uva americana, sua produtividade reduziu drasticamente, sendo ainda muito sensível à uma doença “coulure”  tornando-se inviável continuar seu cultivo nessas regiões. Curiosamente, também foi plantada no Chile onde se adaptou muito bem, sendo confundida e plantada misturada por todos os produtores até 1996 com a uva Merlot. Sendo este país naturalmente protegido da Philoxera, seus pés francos produzem vinhos que continuam a prosperar de qualidade até hoje, sendo atualmente o Chile o mais importante produtor de vinhos dessa uva.

Dão vinhos de excelente qualidade, amplos, coloridos e menos tânicos que a Cabernet Franc. Caracterizam-se seus aromas por frutas maduras, cerejas, chocolate, na boca é um vinho redondo, macio, com boa complexidade.

NEBBIOLO

Nebbiolo

Nebbiolo

Parece seguro que esta uva tenha realmente suas origens no Piemonte e não há nenhuma hipótese para se afirmar que tenha sido trazida pelos romanos de nenhum outro lugar como muitas outras uvas.

Segundo Stanislao Cordero di Pamparato desde 1268 documento prova a o cultivo da uva Nebbiolo, dita também Nubiola ou Nebiolus.

Dentro do seu isolamento geográfico, a seleção natural fez sozinha a boa clonagem, pois esta uva parece ter uma predileção única por essa definida, particular e relativamente pequena região do Piemonte e Lombardia na Itália. Em praticamente nenhum outro local apresenta importantes vinhos. Somente lá produzem vinhos de excepcional qualidade, com boa fruta, com cor, estrutura, açúcar que se traduz em álcool, acidez e taninos potentes, que se propõem a elaborar os melhores vinhos que existem, com uma longevidade interminável.

Tem aromas menos frutados, mas muito complexos, pode ter um amargor mínimo e agradável com uma combinação única de extratos.

As excelências dos vinhos se concentram nas colinas em torno de Alba. Dessas regiões dois tipos muito importantes são elaborados, de um mesmo nível de qualidade, mas com diferenças de estilos. Junto de Barbaresco dão vinho mais leve e delicado, e vindos de Barolo um vinho mais sério, robusto e musculoso.

Classicamente ambos com fortes teores de álcool e tanino cuja maturidade acontecia aos 20 e mais anos. Recentemente técnicas de elaboração adequadas usando menos tempo em barricas novas ou em grandes tonéis, abreviaram o seu tempo de amadurecimento. Como na Bourgogne conta muito o talento da vitivinicultura.

MALBEC

Malbec

Malbec

Uva com origens francesa, produz vinhos de variáveis qualidades nas diversas regiões francesas, lá produzindo vinhos leves com acidez pouco intensa.

Na Argentina esta uva surpreendeu; adaptou-se muito bem, devido ao calor e à ausência de água na região de Mendoza, pode amadurecer completamente, até suas sementes para a qualidade de seus taninos,  devem ter um estado de amadurecimento. Dão então frutos excelentes, dando vinhos de excepcional qualidade diferentes dos seus anteriormente conseguidos na França. É a uva mais plantada na Argentina, que a consagrou como a uva mais representativa do seu país. Cultivadas em altitudes média altas.

Dão vinhos finos, delicados, elegantes, com aromas das frutas, compotas, chocolate, boa acidez e intensas essências, potentes, com alta concentração alcoólica.

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