Arquivo de 'A madeira nos vinhos' Category

Jan
26

A perfeita harmonia – vinho e madeira



As barricas de carvalhos

As barricas de carvalhos

 

” O barril não está relacionado com uma questão de essências, está relacionado com o equilíbrio e longevidade. É a lenta e nobre oxidação é que conta.”

 

Victor Pascual,  do Conselho Regulador de Rioja.

 

Tenho martelado à fadiga minha opinião e sensibilidade sobre a influência da madeira sobre os vinhos. Frequentemente, em nossas degustações de confraria parecendo perseguição minha, critico fortemente os vinhos apresentados como super madeirados, às vezes sinto-me estar sendo cansativo aos meus confrades por esta minha intolerância. Às vezes até parece que estou querendo aparecer, pois com freqüência caros e famosos vinhos abusam demais de seus estágios em madeira, daí suas perdas de qualidades e minhas críticas.

Este mês lendo a revista inglesa Decanter www.decanter.com , tive um momento de alívio com um artigo curto e preciso do conhecido e famoso Andrew Jefford (edição Janeiro 2012, pg. 50) sobre os vinhos de Rioja e seus estágios na madeira. Nele se pode bem entender como são especializados os produtores riojanos e suas sensibilidades na dosagem das barricagens de madeiras em seus vinhos. É toda uma arte e ciência a maneira que os mais famosos da região manipulam as influências justas das madeiras sobre os vinhos, a ponto de fazerem as várias trocas de tonéis e barricas durante o período de amadurecimento para darem o ponto justo de colaboração das madeiras sobre os vinhos. Sempre barricas já utilizadas previamente, ou seja, barricas novas utilizadas por curto período de tempo, várias vezes. Sem dúvidas a madeira é a melhor companhia para os vinhos, é uma combinação imbatível, mas não perdendo o controle das partes, não deixando o entusiasmo e o preço delas contaminar a harmonia. É praticamente uma vigilância nos controles diários que levam os sabores à perfeição.

Para cumprir as legais exigências das DOCs com seus tipos: crianza, reserva e gran reserva ( que na verdade começam a perder a rigidez das forças legais) e seus estágios em madeira, uma série de acomodações têm que ser observadas. Por exemplo: não é somente colocar os vinhos em caras barricas francesas por um período legal obrigatório de estágio é que fará daquele vinho uma perfeição de equilíbrio. Cada vinho cada safra, cada região tem que ter seu justo tempero.

Jefford comenta que na Rioja, seus vinhos já nascem maduros devidos seus perfeitos estágios em madeira.

Por exemplo, o produtor Muga, com seu estoque de 13.000 barris, a idade média deles é de 3 a 4 anos.

O Vinho Viña Arana Reserva, da empresa La Rioja Alta, fica 3 anos em barricas com média de 3,5 anos de idade, mas nenhuma nova. Dormem os vinhos poucos meses em cada tipo de barricas, este específico vinho troca de moradia no mínimo 6 vezes para conseguira um harmonioso bouquet final.

Ramón Bilbao coloca seus vinhos em barricas novas somente por cerca de 3 a 4 meses, depois em barricas de 1 ano, segue-se em barricas de 3 a 4 anos, estas etapas duram cerca de 3 a 4 meses; vejam então nossos amigos leitores o trabalho, o bom gosto e a experiência necessária para se conseguir o bom equilíbrio final.

Ramírez de Ganuza só usa velhos barris.

 

Este trabalho e experiência é que valoriza as desejáveis e micro oxidações nos vinhos, que acontecem nesta trocas e tipos de madeira, este é o fator mais importante na harmonia do sabor final, ficando para lugares secundários as baunilhas e taninos que os vinhos possam ter.

Para não se ficar muito técnico lembro ainda que certo jogo com as muitas variáveis levando em conta os vários tipos de uvas riojanas: Tempranillo, Garnacha, Mazuelo e Graciano e os vários tipos de carvalhos: franceses, do leste europeu e americano, com maior ou menor tosta, podem tomar parte neste jogo da harmonia perfeita.

 

Dec
8

Barolos, Barbarescos e Barberas do Piemonte.



 

 

 

Vinhos e gastronomia Piemontesa

Vinhos e gastronomia Piemontesa

 

 

 

 vinhos Batasiolo

 

O Piemonte é mesmo uma privilegiada região de comilanças e bebilanças. Para ser curto, somente suas trufas brancas seriam suficientes para consagrar sua altíssima posição no mundo da gastronomia. Seus vinhos saborosos incluem dezenas de uvas com sabores e aromas invejáveis, mas as mais famosas são mesmo as uvas Nebbiolo e Barbera para os tintos, e as características Moscato e Arneis para os brancos que dispensariam quaisquer outras mais.  Repetindo, na região outras dezenas de uvas produzem deliciosos vinhos.

Falei dessas uvas porque anteontem fizemos, junto com blogueiros e jornalistas, agradável e interessante degustação dos vinhos do Piemonte,  da conceituada empresa, a Vinicola Beni di Batasiolo.

Muito agradável noitada com jantar no restaurante Magari, com degustação comandada pelo meu velho amigo, já meio brasileiro por tantos anos que aqui residiu, hoje residindo em seu lindo país de origem, a Itália, o Angelo Fornara.

Grandes surpresas nos vinhos, os brancos poder-se-ia dizer mais conservadores, sem grandes surpresas: jovens,  gostosos e clássicos, frescos e frutados.

Já os tintos surpreendentes modificações: os Barberas que há poucos anos se consumiam super jovens, tendem a serem barricados e podendo até serem amadurecidos; os Nebbiolos, leia-se Barolos e Barbarescos, mais espantosamente ainda , estão prontos para o consumo com meia dúzia de anos (pelo menos os degustados) na verdade parece que a modernização do estilo na região é de estarem prontos mais jovens, até há pouco anos necessitavam de 20 ou mais anos…

Uma curiosidade do Piemonte. As colinas e vinhedos dos Barbarescos são levemente mais baixas que as dos Barolos; os vinhedos são arenosos, os dos Barolos mais pedregosos. Outra diferença é que as barricas dos Barbarescos são maiores, de 500 litros e seus vinhos ficam 12 meses, marcando menos os seus vinhos com a madeira, as dos Barolos são francesas de 225 litros e ficam 24 meses, intensificam o efeito da madeira. Provamos os seguintes vinhos:

 

  • Pinot Chardonnay Spumante Brut

De Pinot Bianco 60% e Chardonnay 40

Bolhas finas e abundantes, aromas frutados das brancas, toque cítrico escondido.

Na boca com frutado das maçãs, picante e boa acidez, um tantinho de amargor.

 

Um Espadilha

 

Preço R$ 53

 

  • Roero Arneis 2008 DOCG

Branco, com 100% da Arneis, clarinho de cor e aromas leves da baunilha e frutado das maçãs, ainda com leve floral .

Sabor leve e delicado, bom frutado, e certa mineralidade, insistiu o comentarista da empresa.

 

Um Espadilha, já carinho.

 

Preço R$ 87

 

  • Barbera D’Alba 2007 Sovrana 2007 DOCG

 

Barbera 100%, rubi escurinho

Aromas agradáveis e frutados, intenso, mínima madeira.

Na boca é delicado, elegante, leve, frutado, finos taninos, boa acidez, a madeira passa um pouco.

É um Espadilha.

Preço R$ 77

  • Barbaresco 2006 DOCG

Nebbiolo 100% com cor rubi claro.

Aroma muito agradável, frutado, tantinho de frutas secas, floral, rosas e violetas, já disse que a violeta brasileira não tem aromas, características ditas típicas do Nebbiolo.

Na boca é muito bom, já mais tânico no ataque, mas bem redondo, bom de corpo, álcool bem equilibrado pelos 14°, final com doçura.

É um Escopeta justo

Preço R$130

  • Barolo 2004 DOCG Vigneto Boscareto

Rubi leve claro

Aromas bosque, animal com fungo, com elegância.

Boca também animal, bosque, já transformados os frutados, corpo bom, redondo, com elegância.

É um escopeta

Preço  de grandes Barolos R$ 330

  • Barolo 2004 Vignedo Corda della Briccolina DOCG.

Rubi claro.

Aromas com as características do anterior animal, champignon, fundo de bosque, frutos leves, muito agradável.

Na boca é muito gostoso, tânico, equilibrado, encorpado com fineza e elegância, longo.

 

É um Escopeta.

 

Preço R$ 438 para quem pode

 

  • Moscato Passito 2006 Muscatel Tardi

 

Uma versão de colheita tardia, e ainda com desidratação após a colheita.

       Cor amarelo claro.

Aromas e sabores das uvas passas, moscatel, boa doçura, agradável, mas modesto de complexidade.

È um Espadilha, caro.

 

Preço R$ 330 com 500 ml.

Todos importados pela Max Brands  www.mxbrands.com.br e vendas em vários empórios da cidade.

Jun
28

Haras de Pirque 2004 Cabernet Sauvignon Elegance – Alto Maipo – Chile



 

 

Já que hoje teremos o embate futebolístico com o Chile, lembrei-me de comentar o vinho bebido na sexta passada na nossa confraria.

Este mesmo vinho bebido por mim em outubro de 2008, ou seja, há dois anos, quando sua fama estava no auge, pois este vinho ganhou uma degustação entre muitos jornalistas que escrevem para o guia chileno Descorchados, tendo sido considerado o melhor Cabernet Sauvignon do ano de 2004 de todo o Chile.

Na realidade eu gostei muito do vinho naquele ano. Anotações minhas da época, pois eu trabalhava na Terroir que era a importadora deste vinho foi a seguinte:

Cor: Rubi escuro

Aromas: boas frutas, leve componente herbáceo, delicado, fino e elegante.

Boca: muito boa fruta, leve, elegante com leve herbáceo

 

Minhas anotações de sexta passada:

 

Cor: rubi escuro

Aromas: Intenso, fino, elegante, frutas muito leves, encoberto pelo madeirado um pouco intenso demais, com baunilha, quase coco,.

Boca: bom , macio , elegante, mas com intensa madeira, longo com pouca fruta.

 

Na minha avaliação um Escopeta há 2 anos perdendo o brilho e se tornando um Espadilha.

 

Creio que estas anotações nos faz conferir os comentaristas ingleses que apreciam o bom corpo dos vinhos chilenos, mas sua evolução não caminhou para a elegância e fineza.

Mesmo que atualmente comece a mudar, os chilenos têm ainda uma evolução rápida, após 5 a 6 anos já começam a perder o brilho  e elegância comparados com os vinhos de Bordeaux.

Esta não é uma sentença definitiva para os chilenos, mas um tema de estudos para os amantes do vinho, fazer esta avaliação comparativa da evolução dos vinhos do novo e velho mundo. Foi curiosa esta evolução para as madeira mesmo já estando engarrafados, o que nos faz admitir o efeito inicial da madeira sobre os vinhos, mesmo depois de engarrafados.

É claro que as exceções existem.

 

Importado pela Winebrands Brasil www.winebrands.com.br

Rua Helena 275 cj 32 – São Paulo – Tel 011 3016 3465

Nov
25

A MADEIRA NOS VINHOS



CONFECÇÃO E TOSTAGEM DA BARRICA

Todo um tratado pode ser escrito a respeito do uso da madeira e seus efeitos sobre os vinhos, aqui a informação será telegráfica, de modo somente a se compreender os efeitos sumários desta influência.

Pela resistência física e peso, guardam-se vinhos em tonéis de alguns milhares de litros (10 a 50 mil litros, etc)  e dependendo das tradições regionais em barricas entre 200 e 500 litros, há muitos séculos. Talvez a mais comum e clássica seja a de Bordeaux de 225 litros. Servem como um recipiente, mas … agora veem os intermináveis detalhes. Os grandes tonéis transmitem aos vinhos pouquíssimas essências, são grandes tanques, mais para guardar os vinhos e que eles envelheçam  espontaneamente. Usando a micro porosidade da madeira, ou até nada, pois com as comuns dezenas de anos de uso, já estão praticamente impermeabilizados.

As barricas então são as grandes vedetes das influências benéficas das melhores madeiras sobre os vinhos. As mais conceituadas das madeiras são principalmente os carvalhos, que numa escala de qualidade e preço são: os franceses, americanos e eslovenos, para não se alongar. Famosas são suas florestas na França e Estados Unidos cujas arvores são abatidas com 100 e 60 anos respectivamente. Por razões óbvias quanto maiores, os tonéis e barricas, menor serão suas influências sobre os vinhos. Quanto menores e novos, de primeiro uso, maior será sua troca de essências da madeira com os vinhos. Com essa regrinha pode-se usar e regular o efeito que se quer da madeira sobre os vinhos; pelo tempo que eles ficam nelas estocado antes do engarrafamento, ou se novas ou de segundo ou terceiro uso. Considera-se que mais de três a quatro anos de uso as barricas ficam praticamente inertes. Basicamente elas permitem a micro-oxigenação do vinho pela micro-porosidade das madeiras, sendo uma das características de suas fibras dentre os vários carvalhos. Alem disso as trocas de taninos e outras substâncias que acontecem entre os vinhos e as madeiras, dando-lhes gostos e aromas específicos. Os carvalhos americanos liberam mais aromas que os franceses.

Alguns preparos das barricas podem alterar ainda para melhor, os bons efeitos destas influências. Por exemplo, as barricas podem ser tostadas, (com fogo mesmo!) entre 5 e 15 ou mais minutos, a pedido de cada produtor, que já sabe que vinho será colocada nelas.

Os vinhos dentro das maravilhosas barricas de madeiras ganham aromas, sabores e micro oxidações que não tinham. São caras, custam de 500 a 1000 dólares cada uma, o que faz custar um estágio nelas, até 3 dólares por garrafa.  Para vinhos simples um método muito criticável, quase inaceitável, seria usar tábuas, gravetos, ou serragem destas madeiras, como uma infusão.

Alem de amaciar os  taninos duros iniciais, o enriquecimento do vinho com a passagem pela madeira pode afetar a cor, os aromas e os sabores. As mais comuns essências incorporadas aos vinhos são:

Baunilha, fenóis, madeiras como cedro e carvalho, defumações variadas, chá, café, chocolate, coco, caramelo, creme, manteiga, canela, cravo, etc.

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