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Dec
21

O novo “imbroglio” italiano.



 

Acho que tanto aqui como lá na Itália, ou no mundo todo, uma imensa multidão de bebedores de vinhos não se importa com a rígida qualidade de controle de origem dos mesmos. Sempre que possível os produtores “fabricam” maior volume de vinhos que sua real capacidade, a ilegal ganância não tem copyright brasileiro. É o mundo, é a crise de valores éticos;  nesse aspecto o Brasil está exportando exemplos com grande superávit.

Para os menos informados é o seguinte:

as regiões vinícolas com denominações controladas do mundo todo, seguem uma rígida  legislação, não podem, por exemplo, vender vinhos onde se juntou outros tipos de vinhos de outras regiões. Mesmo se a mistura produza um vinho mais gostoso que o original. Como obviamente também não se podem vender vinhos ruins de baixa qualidade com rótulos de bons caros.

Como sempre, parece que a ganância e a impunidade caminham juntas, lá e aqui; mesmo lá parece que muitos casos e poucas punições aconteceram nestes últimos anos. É o que reclamam os próprios italianos.

 

Na Toscana, a referida prática,  foi usada para melhorar o gosto dos vinhos Brunello, ou para apressar a idade de consumi-los, ou baratear o custo, ou ainda para aumentar a sua produção. (os Brunello são caros e devem caracteristicamente envelhecer mais de 10 anos). No final da história, para ganhar mais, certos produtores juntam vinhos ou uvas diferentes não autorizadas, de outras regiões.

Os Chianti também estão no rolo.

O escândalo então é este, produtores adulteram seus vinhos corrigindo o excesso de acidez ou tanino, ou outro defeito qualquer, juntando vinhos corretivos para os seus defeitos. Às vezes ficam melhores mesmo…, mas é proibido. Não podem fazer isto. Têm que negociar seus vinhos tão ruins quanto sejam ou nasceram se quiserem manter um nome específico.

Isto é muito grave para um consumidor purista, porque os vinhos perdem sua originalidade regional, deixam de representar o que se chama de terroir, e seu gosto final. Descaracterizaria o esforço histórico secular de um lugar.

Num raciocínio à longa distância, esta permissividade iria levar à uma homogeneização e  pasteurização de gostos e, provavelmente teria  a tendência de torná-los todos iguais.

Seria cansativo e desinteressante, como se todos os quadros do mundo fossem pintados por Renoir, embora maravilhosos… Nada contra eles.

 

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